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Débora Garofalo

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Educação inclusiva: veja dicas para integrar os alunos nas aulas

ECOA

13/11/2019 04h00

A educação inclusiva compreende a escola como um espaço para todos, favorecendo a diversidade na medida em que visa acolher as diferenças. Mas será que é assim mesmo que ocorre em todas as escolas?!

A escola detém um papel essencial de fomentar espaços e proporcionar inclusão, convivendo com todas as diversidades e propiciando também trabalhos pedagógicos que tratem da educação inclusiva. Esta, porém, não é uma tarefa fácil.

Sabemos que o tema ainda é muito delicado por conter diversas fragilidades, como salas com muitos alunos, ausência de funcionários e falta de formação docente específica voltada para inclusão.

Há necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola, como utilização de recursos e apoio especializado para garantir a aprendizagem de todos. E é dentro deste cenário que lanço o questionamento: como integrar os alunos com deficiência às aulas?!

Tecnologias assistivas, um caminho possível

A tecnologia assistiva pode contribuir para auxiliar a atuação do professor dentro da sala de aula. Mas o que é a tecnologia assistiva? É uma área do conhecimento interdisciplinar que engloba recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços com objetivo de ampliar a participação de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Ela visa garantir autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social da população com deficiência.

Recursos: por onde começar

Atualmente existe uma série de programas que facilitam a inclusão de alunos com deficiência. Podemos citar, inclusive, alguns programas gratuitos, como o "Teclado Virtual", que pode ser utilizado na tela do computador com auxílio de uma caneta especial para estudantes com mobilidade reduzida.

Já o "Head Mouse" é um programa desenvolvido para permitir que pessoa que não tem os movimentos dos braços possa usar o computador e navegar pela internet sem ajuda de outras pessoas, sendo acionado com um movimento e um piscar de olhos.

"DOSVOX" é um sistema destinado a auxiliar no uso de computadores por meio de um sintetizador de voz. O recurso pode ajudar nos casos de alunos com baixa visão ou cegos. O software "PRO DEAF" faz tradução de texto e voz da Língua Portuguesa para Libras (Língua Brasileira de Sinais) com o objetivo de facilitar a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e ouvintes.
É importante que o professor utilize os programas e verifique qual recurso potencializa a aprendizagem do estudante. Meus alunos com síndrome Down, por exemplo, se sentem confortável e gostam do Dosvox.

5 dicas para incluir de verdade

1) Promover diálogos: abrir espaços para que alunos, familiares, professores, funcionários e toda a comunidade possam conversar sobre a diversidade, valorizando convívio, interação, cooperação e respeito mútuo.

2) Formação docente: é necessário o fortalecimento de formação dos professores, buscando criar uma rede de apoio entre educação e saúde, para aprimorar os conhecimentos docentes, flexibilização de material e intervenções com os alunos.

3) Projeto pedagógico inclusivo: a inclusão deve garantir a todas as crianças e jovens o acesso à aprendizagem por meio de possibilidades de desenvolvimento. Algumas são passíveis de ocorrer pelo Conselho de Escola e APM (Associação de Pais e Mestres), como mudanças na reestruturação física das escolas para eliminação das barreiras arquitetônicas e criação de espaço acolhedores de aprendizagem.

4) Flexibilização do currículo: é preciso, também, flexibilizar o currículo e o planejamento de cada professor, adaptando às necessidades e realidade de cada estudante. Sabemos que não é uma tarefa fácil, principalmente quando faltam recursos, mas é um passo essencial na construção de aprendizagem destes alunos. Levar para sala de aula artigos, vídeos, textos, músicas que abordem as experiências e aprendizagens em inclusão, como debates sobre culturas, povos, raças e as diferentes necessidades especiais.

5) Ações de pertencimento: muitos objetos podem ser criados dentro da sala de aula, como engrossadores, avental de comunicação, apontadores especiais, aumentando o vínculo e diminuindo distâncias. Isso pode aproximar os alunos e fazê-los se sentir mais pertencentes.

A educação inclusiva é um caminho para contemplar a diversidade mediante à construção de uma escola que ofereça uma proposta e que atenda as reais necessidades de cada um, criando espaços de convivência. São muitos os desafios a serem enfrentados. Porém, as iniciativas e as alternativas realizadas pelos professores são fundamentais neste processo.

Sobre a Autora

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia e mestranda em Educação pela PUC-SP. Professora da rede pública de São Paulo, realizou trabalhos transdisciplinares envolvendo robótica com sucata e animações. Hoje é assessora especial de tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de SP. Foi vencedora do Prêmio Professores do Brasil na temática Especial Inovação na Educação e uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

Sobre o Blog

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula.

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