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Como educar a nova geração de nativos digitais

ECOA

25/12/2019 04h04

Nossos estudantes são outros e têm dificuldades de lidar com a educação tradicional, pautada no giz e na lousa. Eles estão cercados por um mundo conectado a estímulos de aplicativos, redes sociais, entre outros. São da chamada geração Z, de idade entre 10 a 24 anos, que nasceram na era digital, cercada por algoritmos e por um mundo ao alcance dos dedos.

E a educação?

Temos problemas a serem superados pelas escolas no aspecto de conectividade, infraestrutura e formação docente, em que muitos professores sentem dificuldades de adaptar o currículo com o uso das tecnologias. No entanto, é possível seguir alguns caminhos para superar essa lacuna entre os nossos estudantes e o processo de aprendizagem.

O caminho perpassa em conhecer os alunos, seus gostos, interesses pessoais e em aproveitar os seus recursos para oferecer um aprendizado mais significativo e pautado em propósitos como projeto de vida.

Nos EUA, a aposta é o BYOD – do inglês, bring your own device (traga seu próprio dispositivo) – como uma maneira de fazer os alunos compreenderem a importância de colocar o seu dispositivo a serviço do aprendizado, minimizando problemas de desvio de atenção na aprendizagem.

Como nem tudo são flores, um ponto de atenção com o uso das tecnologias são os efeitos nas atividades escolares, principalmente para a leitura. A interatividade acompanhada nas mídias digitais reflete em dispersar o gosto pela leitura e a troca da mesma por imagens e vídeos em que faz necessário trabalhar o aspecto da leitura na esfera digital e com textos multimodais.

Caminhos para educar na geração digital:

Meditação

Iniciar a aula com meditação e exercícios de respiração contribui para que os estudantes aprendam se concentrar. Já existem aplicativos como o "Calm", que auxilia os estudantes a meditarem.

Interesse pessoais dos estudantes

Uma das premissas desse novo tempo, e que vamos aprender uns com os outros: Conhecer o interesse pessoal dos estudantes contribui para tornar o processo de aprendizagem mais significativo aproximando do real.

Utilize a tecnologia disponível

É preciso ter em mente que trabalhar tecnologia não é trabalhar apenas usando recursos e plataformas high tech. A tecnologia é uma propulsora a aprendizagem, e por isso é importante deixar claro que disponibilizar altos recursos não garante uma aprendizagem efetiva. Para ter uma aprendizagem rica e significativa é necessário que ela seja pautada na educação integral.

É possível tornar as aulas significativas utilizando velhos conhecidos como o pacote office, trabalhando a cultura maker e incluindo o celular nas aulas para fins pedagógicos. Esses recursos refletem os interesses dos estudantes e devem ser relacionados e problematizados a temas reais como o cyberbullying.

Adaptação a novos tempos

Os estudantes têm se interessado por vídeos. Explorar o seu interesse ajuda a melhorar a aprendizagem e a desenvolver habilidades como a autoria, e ainda permite que os alunos não sejam apenas usuários da tecnologia, mas também produtores dela.

Aprendizagem mista

Mescle uma aprendizagem que tenha atividades plugadas e desplugadas.

Invista no ensino híbrido que possibilita a personalização de modalidades diferentes de aprendizado como em estações por rotações, sala de aula invertida e outros.

A democratização do acesso as tecnologias são essenciais para ajudar a diminuir as desigualdades sociais, alavancar o aprendizado, tornando-o mais dinâmico, significativo e atrativo. O seu uso deve estar associado a objetivos claros de aprendizagem e a que tipos de conhecimentos devemos adquirir, prevendo habilidades. Além de prever a capacidade de lidar com o erro, o que torna o processo enriquecedor.

Os nativos digitais continuarão a adotar as novas mídias e é necessário que nós, professores, nos permitamos diminuir as distâncias existentes e viabilizar o seu acesso nas aulas.

Um abraço.

Sobre a Autora

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia e mestranda em Educação pela PUC-SP. Professora da rede pública de São Paulo, realizou trabalhos transdisciplinares envolvendo robótica com sucata e animações. Hoje é assessora especial de tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de SP. Foi vencedora do Prêmio Professores do Brasil na temática Especial Inovação na Educação e uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

Sobre o Blog

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula.

Debora Garofalo