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Como levar o design thinking para sua aula

ECOA

05/02/2020 04h00

Muitos educadores já retornaram às suas salas de aulas e outros retornam a ela nesta semana. Esse é um momento de muita expectativa. 

Momento para planejar e replanejar caminhos e conhecer os estudantes, promovendo um aprendizado mais conectado com os seus anseios e necessidades. Também compartilho deste momento, sou professora da rede pública há quinze anos e encontrar ressignificação do aprendizado é um desafio que pode ser superado por meio de novas maneiras de conceber o ensino.

Uma delas é o design thinking, que é uma metodologia usada para busca de solução de problemas, conhecida por ser uma aprendizagem investigativa, que visa o trabalho colaborativo, em que o estudante participa como formador de conhecimento e não apenas como expectador da informação, desenvolvendo diversas habilidades. Entre elas, a empatia e o trabalho em equipe. 

Não existe uma única maneira de aplicar a metodologia, que pode ser realizada por etapas e trabalhada em qualquer área do conhecimento e faixa etária do estudante. O trabalho pode ter o foco em soluções de problemas reais, ao contribuir para a ideação, criação e cocriação de ações que geram pertencimento e sugerem novas maneiras de aprender o conteúdo. 

Levando para sala de aula

A metodologia pode ser dividida em até cinco etapas em que o professor deve considerar desafios, curiosidade, conhecimento prévio e múltiplas soluções ofertadas pelos estudantes. As etapas consistem em:

Descoberta: etapa de promover o diálogo, considerando diversos conhecimentos e necessidades, usando a escuta atenta com os estudantes, permitindo que os mesmos possam trazer sonhos, sentimentos, anseios em relação ao tema, entre outros. 

Interpretação: envolve a interpretação referente à etapa anterior. Nessa fase, vale trazer pontos de vistas diferenciados e moderá-los para que sirvam de base para a próxima etapa. 

Ideação: É a etapa de colocar a mão na massa, de criar, em que a solução deverá ser dada ao problema lançado. Permita um espaço de brainstorming (chuva de ideias) para concretizar as ideias trazidas pelos estudantes.  

Experimentação: essa etapa corresponde ao momento de experimentar, dar vidas às ideias, criando soluções ao desafio proposto.  

Evolução: essa etapa envolve planejamento das ações a serem realizadas, assim como o compartilhamento de ideias com outras pessoas que podem colaborar para o processo. 

As etapas a serem realizadas devem ser exploradas e podem ser produzidas e anotadas em pedaços de papéis e post-its, ou ainda em mapas mentais, disponíveis de maneira digital, em que o professor e os estudantes podem oferecer dicas de como organizar as ideias pensadas.

 A abordagem pode ocorrer online por meio de softwares que trabalham com mapas mentais, como Mind Node, Free mind: Coggle e ou de maneira desplugada, por meio de papéis autocolantes coloridos em formato de listas, histórias inspiradoras, fotos,  entre outros. 

São muitas possibilidades, em que o professor deverá mediar a abordagem a ser construída de maneira coletiva, conforme a ilustração a seguir: 

Esse tipo de metodologia visa tirar o aluno da passividade e trazê-lo ao centro do processo de aprendizagem para que participe de maneira ativa de sua aprendizagem, ao mesmo tempo em que trabalha o desenvolvimento de habilidades como empatia, colaboração, resoluções de problemas reais, socioemocionais, entre outros, ao trabalhar com o pensamento visual em que o ouvir, criar, envolver estão presentes a todo momento. 

Um abraço,

Sobre a Autora

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia e mestranda em Educação pela PUC-SP. Professora da rede pública de São Paulo, realizou trabalhos transdisciplinares envolvendo robótica com sucata e animações. Hoje é assessora especial de tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de SP. Foi vencedora do Prêmio Professores do Brasil na temática Especial Inovação na Educação e uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

Sobre o Blog

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula.

Debora Garofalo